"A verdadeira poesia não diz nada, apenas destaca as possibilidades. Abre todas as portas. As pessoas podem atravessar aquela que se lhes ajusta." Jim Morrison

Dualidade


A noite continua passando, o vento continua soprando, tudo continua exatamente como era. O frio continua intenso, a luz continua apagada, eu continuo enrolado em minha coberta, afundando no meu divã encostado na parede, enquanto, entre um devaneio e outro, conto as estrelas caindo do céu, uma a uma, deixando-o cada vez mais denso, cada vez mais concentrado ao redor de algo que não brilha, mas está sempre lá.
Sempre pensei que poderia diferenciar o céu do inferno, o frio do quente, o distante do perto. Sempre pensei… mas, quando as estrelas caem e eu saio da coberta, permaneço chorando sorrisos por aí. Chorando pelas estrelas que caíram, pela coberta que não tenho mais e até pelo divã em que eu me afundava. Permaneço, transferindo-me do oco para o vazio que a queda das estrelas deixou. Permaneço, esperando e enxugando meus sorrisos, que não param de cair.
Permaneço, até o sol se pôr. Até voltar para o meu divã e enrolar-me em minha coberta, enquanto sorrio lágrimas por não ter conseguido segurar nenhuma estrela. Sorrio lagrimas por estar afundado em meu divã. Sorrio lagrimas pelas minhas estrelas, que continuam caindo, mas sempre do lado de fora da minha janela fechada.

Pablo S Rosa

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