"A verdadeira poesia não diz nada, apenas destaca as possibilidades. Abre todas as portas. As pessoas podem atravessar aquela que se lhes ajusta." Jim Morrison

Anjos e demônios

Desci aos céus e encontrei aqueles belos anjos, trajados com majestosas roupas, ornamentados com suas preciosas joias, sustentando seus belos e preciosos olhos azuis, como esmeraldas, olhos que tudo vêem, tudo julgam, tudo sabem, olhos que são corroborados por frases de trás para frente. Aqueles belos anjos que chamaram-me, olharam-me e com suas mãos cravejadas de diamantes apontaram em minha direção e bradaram aos quatro ventos. “Por que veste-se assim? O que queres vindo aqui em baixo? Não importa! Não sabes portar-se, não sabe vestir-se, és demasiado simplório, és demasiado simples,és demasiado rude portanto, não és bons para permaneceres aqui em baixo entre nós.”
Continuei andando. Subi ao inferno e vi aqueles belos demônios, todos fortes e valentes, com olhos transparentes, como rubi, sustentando sabres e vigiando imensos livros, todos em excelente estado, todos guardados com zelos, todos limpo sem ter sequer uma mancha de dedo. Aqueles graciosos demônios, andando de um lado para o outro ao redor dos livros, tilintando os sabres a cada passo, enquanto outros bradam magníficas palavras, magnânimas frases, eternas versos e máximas irrevogáveis, iguais aquelas que estão em um livro fechado. Aqueles belos demônios, ‘tilintadores’ de sabre, que estão sempre polindo-os. Aqueles belos ‘tilintadores’ que  sempre sabem que os sabres estão na posição correta e estão certos de que são sabres. Aqueles ‘ tilintadores’ que apontaram o sabre para mim e bradaram “Por que veste-se assim? O que queres subindo aqui? Não importa! Não sabe portar-se. Não tens um sabre e, se tens, não sabe usá-lo, pois nunca esteve aqui. És demasiado fraco, ouvi demasiadamente, não és bom para ficar aqui em cima.”
Continuei andando entre anjos e demônios, entre sabres e joias, entre esmeraldas e rubis, na mira de mãos cravejadas e sabres reluzentes, continuei, continuei, até encontrar um lugar entre os humanos que olharam-me descer e subir e riam-se, quando eu voltava cabisbaixo. “Também foi lá né!?”

Trecho do Projeto Senhor das Moscas(O Excluído)
Pablo SRosa

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