"A verdadeira poesia não diz nada, apenas destaca as possibilidades. Abre todas as portas. As pessoas podem atravessar aquela que se lhes ajusta." Jim Morrison

Colírio

E vai descendo, gota por gota. Devagar. Assimétrica. Sem sincronismo. Cristalina. Densa. Carregada. Amarga. Deturpada. Maldita. Gota por gota, como se o paraíso, aos poucos, estivesse caindo na escuridão. Gota por gota, Sem folhas. Sem flores. Sem nexos. Sem…Sem…Sem!Sem!

E vai descendo. Gota por gota, como uma cachoeira. Descendo. Arrastando tudo que está do chão. Levando os galhos. As flores. Os restos. O lixo. E até as flores que ainda não cresceram. Descendo, levando tudo e aumentando, cada vez mais, o risco de enchentes.

E vai descendo, lavando tudo, limpando pedaço por pedaço. Canto por canto. Lavando o chão que estava sujo com as coisas que eu gostava. Limpando os cacos que destruiu. Limpando as rosas que resistiram a chuva e devolvendo a cor daquelas que o tempo apagou.

E vai descendo, Gota por gota, como sempre caiu.Gota por gota. Escorrendo pela minha janela. Gota por gota. Com um brilho escondido no fundo de cada uma. Gota por gota, que funcionam como colírio. Gota por gota, pois além da minha janela, além da pacata visão, há sol. Gota por gota, pois a chuva que cai lá fora, não é a mesma que cai aqui dentro.

Pablo S Rosa

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Uma resposta

  1. Gota por gota… “indo por onde flor” .

    ..Muito lindo mesmo este poema que você escreveu!!

    25/10/2012 às 16:50

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