"A verdadeira poesia não diz nada, apenas destaca as possibilidades. Abre todas as portas. As pessoas podem atravessar aquela que se lhes ajusta." Jim Morrison

Escritor

A luz da lua brilha ao longe. Clareando um pouco a escuridão, embalando os apaixonados, entediando os sonâmbulos, inspirando o poeta. A luz continua forte, no meio do céu completamente vazio e o poeta continua sentado na varanda, com o lápis na mão, a folha em branco e o sentimento no peito.

E continua ali, dialogando com o silêncio, reverenciando a lua e olhando o casal do outro lado da rua. Continua ali, escrevendo, escrevendo, escrevendo. Discutindo com a escuridão, contracenando com a lua, segurando o papel. E continua, dissertando sobre a dor, sobre a saudade, sobre a paixão, sobre um pouco de tudo. Misturando palavras, criando simetrias, reinventando sinestesias, continua escrevendo, escrevendo e escrevendo, com a lua de fundo e o silêncio de trilha sonora.

Palavras, palavras, palavras, sentimentos, sentimentos, sentido. Sentido, sentido, sentido, palavras, palavras, sentimento. Sentimentos, sentimentos, sentido, palavra. E assim vai continuando com sua dissertação, continuando com o seu monologo, sobre todos e sobre tudo. Imaginando as coisas mais inimagináveis, utilizando de lembranças para dar sentido, remetendo ao passado enquanto escreve o futuro. E o poeta continua escrevendo, inventando novos sentimentos, novos contos, novos paixões, velhas lembranças e o mesmo amor.

E continua, escrevendo, escrevendo, escrevendo, escrevendo, querendo inventar algo novo. Escrevendo, escrevendo, escrevendo, tentando apagar o velho. Escrevendo, escrevendo, escrevendo, escrevendo, querendo apagar até suas lembranças se necessário. E continua, escrevendo, escrevendo, escrevendo, concentrado em seu lápis, concentrado em suas palavras, procurando fazer as mais belas letras, procurando os mais belos contornos, procurando as mais belas palavras. Concentrado em seu lápis, concentrado em suas palavras, tão concentrado que esquece até o poema que estava escrevendo. Esquece-se da lua que estava lhe fazendo companhia, esquece-se do casal que estava ali sentado, esquece até que estava escrevendo um poema e por isso deixa de ser poeta. Esquece-se de tudo que está ao seu redor por meras palavras bonitas, por meros versos simétricos, por meras riminhas, esquece-se de tudo que aprendeu de tudo que sentiu, de tudo que fazia sentir, apenas pela beleza da palavra e por isso, deixa de ser poeta, deixa de ser feliz, deixa de fazer feliz. E o poeta pega sua borracha e começa tudo de novo, pois, às vezes, a simplicidade é o caminho para felicidade.

E o poeta volta a escrever, agora, sem seu lápis.

 

Pablo SRosa

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